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Gasolina sobe 19,5% em seis meses e já beira os R$ 5 em algumas cidades
O preço médio é o maior já registrado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP)
Redação CNEWS Canindé - CE
Postada em 22/01/2018 ás 12h03 - atualizada em 22/01/2018 ás 12h05
Gasolina sobe 19,5% em seis meses e já beira os R$ 5 em algumas cidades

A disparada da cotação do petróleo é resultado da maior demanda e consequente diminuição dos estoques, já que a produção não cresceu no mesmo ritmo ( Foto: Daniel Aragão )

Nos últimos seis meses, o preço médio da gasolina subiu 19,5% nos postos de combustível e já se aproxima dos R$ 4,20. Em algumas cidades, está perto de romper a barreira dos R$ 5. O preço médio, sem descontar a inflação, é o maior já registrado na série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que começou em 2001. 


A gasolina mais cara do Brasil está na região Norte. Em Tefé, no Amazonas, o preço médio é de R$ 4,941 por litro. Em Alenquer, no Pará, chega a R$ 4,838. Para os paulistas, a gasolina mais cara é de Dracena (R$ 4,196) e a mais barata fica em São José dos Campos (R$ 3,863). 


A escalada do preço está relacionada à nova política de ajustes da Petrobrás, em vigor desde julho de 2017, quando a estatal anunciou que as variações ocorreriam com mais frequência. Nesse período, os preços foram reajustados 133 vezes. A mudança foi feita para dar agilidade aos reajustes e acompanhar a volatilidade da taxa de câmbio e da cotação de petróleo. O barril ficou 28% mais caro nesse período. 


Quando se compara o preço da gasolina no País com o do mercado norte-americano — de livre concorrência e sem nenhum tipo de política de preços — percebe-se um ritmo diferente. Nos EUA, o combustível ficou cerca de 7,6% mais caro quando o preço é convertido a reais. 


Uma das explicações pode estar na sazonalidade. O período comparado começa no verão — quando os combustíveis ficam mais caros nos EUA — e termina em pleno inverno — quando os preços historicamente são mais baixos. Lá, a gasolina custa, em média, US$ 2,639 o galão ou R$ 2,2576 por litro.


Para não colocar em cima do consumidor todo o peso da volatilidade internacional do petróleo, especialistas sugerem um "amortecedor de preços". Um dos mecanismos mais citados seria usar a atual Cide (o tributo federal que incide sobre os combustíveis) como um "colchão" para suportar a variação internacional, sem causar instabilidade no preço praticado no Brasil. O tributo seria variável: quanto maior o valor do litro, menor o porcentual da alíquota. E vice-versa. 


"No Reino Unido, por exemplo, há certa estabilidade no valor cobrado, pois a volatilidade é amortecida pelo tributo variável. Isso dá mais estabilidade para o consumidor. A maior parte da Europa faz isso, e o Japão também", defende o presidente da consultoria agrícola Datagro, Plínio Nastari.


O diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), Adriano Pires, elogia a atual política de preços da Petrobrás por acabar com a "ficção econômica" praticada nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff — que represaram os preços para conter a inflação. 


Pires defende, no entanto, o aprimoramento do sistema com a adoção da Cide como imposto ambiental — que oneraria a gasolina em favor de combustíveis mais limpos, como etanol - e também para corrigir externalidades — como a variação do preço internacional dos combustíveis. "A próxima etapa é rever a questão tributária. É preciso avançar na questão ambiental e na volatilidade de preços." 


A disparada da cotação do petróleo é resultado da maior demanda e consequente diminuição dos estoques, já que a produção não cresceu no mesmo ritmo, segundo o relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).


Mas nem todo esse aumento chegou às bombas. "De maneira geral, o petróleo não é um bem consumido diretamente, mas utilizado para produção de derivados. As negociações são realizadas com base nas cotações dos próprios derivados e não na do petróleo", explica a Petrobrás em nota ao Estadão/Broadcast. 


A estatal reconhece que, no longo prazo, petróleo e derivados têm comportamento semelhante, mas "no curto prazo podem ocorrer, e de fato ocorrem, oscilações de diferentes magnitudes".

FONTE: Estadão Conteúdo
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